Entrevista com Aluno: um executivo na floresta amazônica

Entrevistamos Manoel Browne, nosso aluno da 11ª turma do MBE, Diretor Institucional, Jurídico e Regulatório do Grupo Cataratas.

Manoel Browne - Aluno MBE CoppeSobre o aluno:
Turma: MBE 11

Formação:
Especialista em Gestão do Meio Ambiente (Pós-Graduação MBE Coppe/UFRJ, 2004);
Graduação pela (Universidade Santa Úrsula, 1999);
LLM (IBMEC, 2003);
Mestre em Direito Constitucional com pesquisa em desenvolvimento sustentável (Instituição Toledo de Ensino – ITE, Bauru, 2012).

Profissão: Diretor Institucional, Jurídico e Regulatório do Grupo Cataratas

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Iniciei minha carreira e dediquei-me a formação pautada no direito civil e administrativo, movido por vocação e paixão. Em 2003, encontrei na pós-graduação do MBE da Coppe a oportunidade de experimentar o universo da gestão ambiental. Isto alargou meu conhecimento e potencializou o desejo de dedicar-me ao tema meio ambiente e desenvolvimento sustentável. Imediatamente após a conclusão do curso, em junho de 2004, tive a oportunidade de ir trabalhar em um projeto na Amazônia, no interior do Pará, projeto para o qual a conclusão do meu curso no MBE/Coppe seguramente pesou em meu currículo. Daí em diante conduzi minha carreira na área de direito e gestão ambiental, figurando hoje como executivo dedicado a sustentabilidade em empresa de grande porte no cenário nacional.
Fui para a Amazônia atuar no setor de celulose e manejo florestal sustentável de floresta nativa, como coordenador jurídico da empresa Jari Celulose e Orsa Florestal. Após expedição de pouco mais de três anos no interior da Amazônia, segui caminho para o interior de São Paulo, onde trabalhei no grupo Lwart como gerente jurídico, institucional e regulatório, em uma unidade de celulose e outra de indústria química no segmento de coleta e rerrefino (reciclagem) de óleo lubrificante usado, sendo a maior empresa da América Latina no setor.

Com experiência acumulada ao longo desses onze anos, tive a oportunidade de voltar ao Rio de Janeiro para integrar, como diretor institucional e de sustentabilidade, o Grupo Cataratas, que tem concessão do ICMBio e de governos de estados e municípios para, em contrato de longo prazo, realizar serviços de entretenimento e turismo ecológico ligados ao tema ambiental.

Sofrendo pressão por exploração insustentável; é preciso reverter este modelo. O problema é notório, mas há solução e gente com intenção e capacidade de realizar trabalho sério. A minha dissertação de conclusão de curso no MBE/Coppe teve como pano de fundo o manejo sustentável de floresta nativa. Com a imersão vivida no interior da Amazônia em projetos desta natureza, tive a convicção, e posso assegurar, que fazer manejo significa proteger a natureza, mantendo a floresta em pé e, principalmente, garantindo recursos financeiros para a população de 25 milhões de habitantes da Amazônia Legal.

Nos últimos anos, a pressão da agroindústria com pecuária extensiva e produção de grãos e cereais tem exercido significativo impacto degradante, que normalmente vem a reboque de um desmatamento ou decorre dele. Esta tem sido a realidade do Brasil, sofrendo pressão permanente de madeireiros ilegais e da agroindústria, além da ocupação irregular, com problemas fundiários crônicos. Acredito que se utilizássemos o volume de áreas já degradadas, no Brasil, já seria o suficiente para anular qualquer supressão vegetal, com exceção do manejo, que é uma forma justa de utilização da floresta. Se assim fosse feito, todo o mundo seria beneficiado com a preservação e utilização racional do bioma amazônico e da cultura do amazônica, para as presentes e futuras gerações.

O Brasil consome anualmente 1,5 bilhão de litros de óleo lubrificante, dos quais menos da metade é produzido nacionalmente, sendo, portanto, dependente de importação. O OLUC é um resíduo perigoso, oferecendo significativo impacto ao meio ambiente.

A melhor tecnologia aplicável ao seu destino ambientalmente correto é a reciclagem por meio do processo do rerrefino. A legislação aplicável determina que todo OLUC seja direcionado ao rerrefino. Esse setor contribui com a logística reversa do OLUC, no âmbito da Política Nacional de Resíduos Sólidos – PNRS, para garantir o abastecimento nacional na ordem de 25% do volume consumido e, ao mesmo tempo, evitar que o destino deste resíduo contamine o meio ambiente ou, se utilizado de forma indevida (queima), possa causar danos a saúde.

O Brasil tem legislação moderna, fábricas com tecnologia de ponta e capacidade industrial instalada e ociosa; infelizmente este cenário pode e deve ser creditado a dois fatores específicos:
1 – ausência de fiscalização por parte do governo em relação à destinação e ao consumo ilegal;
2 – pela falta de conhecimento, por parte dos geradores deste resíduo, que o destino legal seja o rerrefino.

Em novembro de 2014 tive a oportunidade de um novo desafio, de me juntar ao grupo Cataratas. A Cataratas do Iguaçu S.A. é uma empresa diretamente relacionada ao ecoturismo que atua desde 1998 no setor, contribuindo para a preservação ambiental e oferecendo mais segurança e qualidade no atendimento aos visitantes nos parques nacionais em que presta serviço: o Parque Nacional de Iguaçu, Parque Nacional Marinho de Fernando de Noronha e Parque Nacional da Tijuca.

Dez anos após o início da operação no Parque Nacional do Iguaçu, a empresa já é considerada uma referência tanto no trato com o turista, desde recepção, transporte no parque e serviços oferecidos, como também na preocupação com os impactos ambientais e conservação do parque.

É uma experiência única porque teremos a chance de escrever e contribuir com um novo modelo de turismo ecológico no Brasil. Imagina que, nos Estados Unidos, mais de 200 milhões de pessoas já visitaram os parques nacionais, ao passo que no Brasil, onde mais da metade do território é coberto por florestas e um ecossistema privilegiado e rico, tivemos pouco mais de 6 milhões de visitantes em nossos parques. A razão é simples: falta de investimento em infraestrutura mínima, mas estamos diante de um novo paradigma, em que empresas vêm buscando aliar-se ao governo como parceiras, em regime de concessões, PPs e outras modalidades para fazer frente a racional utilização dos parques e negócios que possam promover a interação do homem com a natureza.

O desafio está posto, o setor privado está com recursos disponíveis e, na condição de entusiasta, ambientalista, professor e executivo do setor, faço votos e estou crédulo de que o desenvolvimento sustentável, consubstanciado na economia, no meio ambiente e no social, pautados pela ética e pela boa governança, encontrará o rumo certo e imediato para fazer do Brasil um protagonista no relacionamento das pessoas com os recursos naturais disponíveis.

Manoel Browne - Cataratas do Iguaçú

 

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